
(Química em Ação, uma das atividades extensionistas do instituto)
Com a curricularização das atividades extensionistas, Instituto aposta em formação prática e conectada à sociedade.
Quando o assunto é extensão, o Instituto de Química (IQ) é pioneiro no movimento de curricularização. IQ tem um longo histórico com as atividades extensionistas, tanto sociais quanto científicas, e vem se destacando nesse processo com professores engajados. “Desde 2022, quando surgiu o tópico da curricularização da extensão, o Instituto pensa sobre a implementação na prática”, afirma o professor Thiago Paixão.
Mais do que nunca, os alunos do instituto estão envolvidos em projetos acadêmicos que buscam transformar a produção científica da universidade. “A extensão é um dos pilares da formação acadêmica”, afirma Fábio Nascibem, professor contratado para lidar diretamente com a curricularização das atividades extensionistas (AEX) no IQ. “Ela aproxima a universidade da sociedade, mas acaba sendo eclipsada por outras responsabilidades. É por isso que é tão importante que ela seja parte formal do currículo estudantil", conta.
“A extensão é essencial para a existência da universidade pública”, diz Fábio Rodrigues, ex-presidente da Comissão de Cultura e Extensão. É por meio de projetos que se expandem para além dos muros da universidade que o conhecimento produzido alcança a comunidade. Isso significa que não basta estabelecer diretrizes: o envolvimento dos professores é fundamental.
“As discussões sobre a curricularização no IQ nasceram num ambiente propício”, diz Rodrigues. "As novas contratações do instituto trouxeram professores engajados nas pesquisas pedagógicas e dispostos a integrar o ensino prático no currículo." Foi nesse contexto que o Instituto procurou a contratação de um professor especificamente dedicado à curricularização da extensão, pela primeira vez na Universidade de São Paulo. Nascibem, que foi contratado para essa vaga, argumenta que “apesar da obrigatoriedade da extensão, nós não a tratamos como mera exigência burocrática, mas como uma das vias pelas quais a universidade pode atuar de maneira prática na sociedade”
Cada projeto busca se envolver com uma demanda social diferente. Assim, os alunos exercitam habilidades imprescindíveis para a atuação científica: a sensibilidade e o senso de comunidade. Ao se juntar ao Nox, uma das AEX do instituto, Rafaela Iumatti Barbosa relata ter descoberto que “a extensão é um dos prazeres da graduação”. O projeto visa democratizar o conhecimento produzido na faculdade. Por meio de produções audiovisuais, os alunos envolvidos na AEX aprendem a transmitir informações de maneira mais acessível para a comunidade.
Participar de uma AEX também é um passo na direção certa da integração estudantil. “Quando um calouro me diz que está tendo dificuldades de conhecer pessoas, eu sempre digo que se juntem a uma AEX”, conta a estudante. “É uma forma de conhecer pessoas com interesses em comum e se sentir pertencente, tudo isso enquanto faz algo importante”, afirma.
Ao participarem de um projeto extensionista, os alunos lidam com o conhecimento aplicado à vida real e aprendem a lidar com a importância de um projeto que acontece fora do ambiente controlado de um laboratório. “A extensão é quando o aluno se torna produtor do conhecimento. É também quando percebe que só produzir esse conhecimento não basta. É necessário saber transmitir esse conhecimento, saber aplicar. Tudo isso colabora para uma formação mais completa”, afirma Paixão.
Segundo Paixão, os docentes do Instituto se mostram dispostos a lidar com os novos desafios que a curricularização da extensão traz para a universidade. “Não existe excelência acadêmica sem respeito a direitos básicos”, conclui.
Nátale de Andrade
