Pesquisa sobre nova função da mioglobina rende prêmio internacional a doutorando do IQ

Um estudo que ainda nem foi publicado recebeu o Prêmio Nakashima deste ano, entregue durante o simpósio da International Society for Bioluminescence and Chemiluminescence, realizado em maio em Rayong, na Tailândia. Intitulado "Triplet acetone generation by pseudoperoxidase activity of myoglobin: structural damage and quenching", o trabalho é assinado por Thiago da Mata Viola Gomes, doutorando do Programa de Bioquímica e Biologia Molecular do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), e trata de uma nova função da mioglobina. 

Thiago vem trabalhando no projeto desde sua iniciação científica, realizada sob orientação do professor Etelvino Bechara, também seu orientador de doutorado. A parceria se iniciou em 2020, quando Thiago começou a se interessar por bioluminescência e, por intermédio do professor Cassius Stevani, foi apresentado a Bechara, um grande pesquisador da área de quimiexcitação eletrônica em meios biológicos, mais especificamente a bioluminescência e fotoquímica no escuro

Submeter trabalhos ainda sem publicação a congressos é considerado arriscado pelo professor Bechara. Para ele, isso poderia trazer atenção demais ao estudo e criar competitividade entre os pesquisadores. 

O projeto de Thiago reconheceu uma nova função da mioglobina, proteína responsável por armazenar e transportar oxigênio nos músculos. O estudo identificou que a mioglobina é capaz de gerar moléculas excitadas que podem interagir negativamente com o meio biológico. 

“É uma faca de dois gumes. Apesar de essencial para o metabolismo, ela [mioglobina] também tem essa função de iniciar e propagar a geração de espécies oxidantes danosas ao nosso organismo”, revela o pesquisador. “A espécie oxidante gerada causou danos à proteína, com possível perda de função. Isso pode ter bastante relevância biológica, com potencial indução de danos a uma série de biomoléculas. Por fim, identificamos supressores, que vão proteger as biomoléculas de danos oxidativos”, explica. 

Os supressores recebem a energia da molécula excitada no lugar do DNA ou proteína que seria afetada, agindo como uma espécie de molécula protetora. Esse mecanismo abre novos horizontes para pesquisas e o desenvolvimento de fármacos e diferentes tratamentos médicos. 

Desenvolvidos no IQ, os estudos foram realizados em solução com reação isolada, ou seja, testes com células e animais ainda não foram realizados. “É um estudo preliminar em solução, que já abre portas para a possível atuação e perigo de uma proteína tão importante como a mioglobina”, conta o doutorando. 

Ao submeter uma pesquisa ao International Society for Bioluminescence and Chemiluminescence, o pesquisador responsável escolhe como gostaria de apresentar o trabalho e se gostaria ou não de concorrer a prêmios. Thiago, que já conhece o congresso há alguns anos, optou por inscrever seu estudo para apresentação oral, de pôster e prêmios. “É um trabalho que está finalizado, é bem robusto e há várias evidências que corroboram com nossa hipótese. Fiquei bem confiante de inscrevê-lo para concorrer aos prêmios", relata.

Para Thiago, o congresso é uma oportunidade de compartilhar conhecimentos e avaliar o próprio trabalho

[Imagem: Acervo pessoal/Thiago da Mata Viola Gomes]

Apesar da confiança, o prêmio veio como uma surpresa. “Não esperava ganhar”, conta o doutorando. “É um congresso muito grande e muito específico de nossa área, com excelentes trabalhos”. 

O artigo foi submetido à Luminescence - Wiley e, no momento, está sob revisão. 

 

*Imagem de capa: [Acervo pessoal/Thiago da Mata Viola Gomes]

Texto por Ana Carolina Mattos

 
Categoria: 
Data de Expiração: 
15/06/2030

Desenvolvido por IQUSP