Nos dias 10 e 11 de dezembro, o IQUSP realizou o Workshop on Advanced Mass Spectrometry (WAMS), coordenado pelo professor Thiago Correra, do Departamento de Química Fundamental. Esta edição abordou métodos alternativos de fragmentação iônica, simulação e interpretação de espectros e aplicações em metabolômica – estudo dos metabólitos presentes em um organismo, ou seja, das moléculas envolvidas nos processos bioquímicos, como aminoácidos, lipídeos e açúcares. As apresentações destacaram, principalmente, o uso das ferramentas Quantum Chemical Mass Spectrometry (QCxMS), Global Natural Products Social Molecular Networking (GNPS) e MZmine por meio de palestras teóricas e de atividades práticas sobre os conteúdos.
No primeiro dia, Júlio César Cardoso da Silva, Químico de Aplicação na Nova Analítica, apresentou “Método Alternativo de Ativação por Íons III”. Ele explica a evolução e a aplicação de alguns sistemas de espectro de massas usados para detectar e identificar compostos.
Em seguida, Anelize Baumeister, professora do Departamento de Química Fundamental do IQ, abordou “A Importância das Fragmentações na Anotação Metabolômica”. Ela aponta como os resultados das análises podem variar a depender de condições externas. Como exemplo, ela cita as fezes, que variam de acordo com a refeição da pessoa no dia. “Você pode testar métodos de extração de metabólitos diferentes, mas cada um vai focar em uma determinada característica de metabolismo. Então nenhum método é abrangente o suficiente para conseguir extrair todos os metabólicos da amostra”, complementa.
Baumeister também introduz a plataforma Global Natural Products Social Molecular Networking (GNPS), que é um sistema que agrupa e organiza informações de espectrometria de massas. Em seguida, a professora cita outras ferramentas, que são utilizadas a depender da pergunta-foco que o pesquisador deseja responder.
No dia seguinte, Mariana Fioramonte, da Waters Technologies do Brasil, apresentou “Dissociação por Elétrons para caracterização estrutural em espectrometria de massas”. Ela dá explicações sobre a ferramenta Select Series Type EMS, que, além de aproveitar a mobilidade iônica para separar e analisar as moléculas pela sua razão massa-carga, também o faz pelo seu tamanho, tendo em vista que uma molécula menor tem um tempo de travessia mais longo do que uma maior.
Logo após, Itamar Borges, professor do Instituto Militar de Engenharia no Rio de Janeiro, abordou “Aspectos Teóricos de Simulação de Espectros de Fragmentação”. Ele compartilha que algumas das teses desenvolvidas no Instituto exploram a questão da defesa química, porque os oficiais só podem realizar pós-graduação em assuntos relacionados ao Exército.
Itamar também comenta que uma limitação no método QCxMS é a escala de tempo das simulações moleculares. “Mesmo com todos os computadores, não conseguimos simular o processo de fragmentação com a duração de tempo correspondente à realidade.”
Por Ana Santos | Comunicação IQUSP
