No dia 11 de fevereiro, o IQUSP promoveu uma tarde de conversa sobre os benefícios e os malefícios do uso de Inteligência Artificial (IA). O evento teve a participação de professores, seguido de um debate envolvendo a plateia.
O docente João Carlos Setubal, do Departamento de Bioquímica, iniciou o evento com a palestra “Inteligência Artificial em 2026: Observações no meio do furacão”, destacando que a área vem passando por constantes mudanças e investimentos. A IA, portanto, “tem e continuará a ter repercussões extraordinárias na vida de todos nós”, afirma, completando que a rapidez “é uma das características que me levou a chamar esse fenômeno de ‘furacão’: não conseguimos acompanhá-la”.
Setubal também tratou de como as discussões estabelecem uma relação entre o aspecto humano e o tecnológico. Logo no início da palestra, questionou o uso do termo “inteligência”, tendo em vista que o fenômeno está interligado com a inteligência humana.
A tecnologia está tão inserida no cotidiano que termos humanos e maquínicos se misturam, a ponto de definir-se reciprocamente. O professor explica que há uma mecanização do humano – por meio de expressões coloquiais – e uma antropomorfização das máquinas. No primeiro contexto, Setubal cita frases como “tirar férias para recarregar as baterias” e “fulano tem um parafuso a menos”. No segundo, menciona a atribuição de sentimentos, de memória e de inteligência para a tecnologia.
Carlos Hotta, docente do Departamento de Bioquímica, deu prosseguimento ao evento com o tema “As oportunidades e as armadilhas no uso de IA na Ciência”. Um aspecto que guiou toda a apresentação foi a menção do uso de ferramentas de IA ou semelhantes para facilitar a rotina. Hotta destacou a necessidade de monitorar constantemente esses instrumentos para prevenir erros.
Ao explicar para que serve a IA, Hotta usa a analogia de um martelo: “Você pode pregar um prego, criar arte, usar o martelo de forma destrutiva, e até de forma performática. O mesmo vale para a IA. Seu uso vai ser bom ou ruim a depender do usuário”. O professor também expõe a preocupação de como essa ferramenta afeta o processo cognitivo de quem o usa, tendo em vista que a pessoa se acostuma a entregar a tarefa para a tecnologia ao invés de fazê-la por conta própria.
Em seguida, Alexandre Chiavegatto Filho, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, abordou o tema “Inteligência artificial na saúde: onde estamos e para onde vamos”. Durante a palestra, o docente destacou a utilidade da IA para automatizar atividades na área de saúde. Ele explicou que a ferramenta auxilia em processos de gestão, como agendamento e previsão de tempo de consulta; diminui a burocracia para preencher relatórios por já ter as informações no sistema; e auxilia no processo de diagnóstico. Chiavegatto também enxerga a IA como uma oportunidade para facilitar o acesso à saúde em áreas remotas do país por promover o contato dos pacientes com especialistas.
Por Ana Santos | Comunicação IQUSP
